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03 |💫| O Toque do Esquecido

  ?──────??──────?

  Samuel escutava vozes abafadas, distantes, como ecos perdidos no vazio. Ele abriu os olhos, mas tudo o que encontrou foi escurid?o. Um véu denso e sufocante o envolvia, como se o próprio mundo tivesse desaparecido.

  Tentou invocar seus poderes, mas nada aconteceu. A energia que sempre ardia dentro dele... n?o estava lá.

  Aquele lugar n?o apenas o enfraquecia — ele o sufocava.

  Ent?o, uma luz fraca surgiu ao longe. Pequena, solitária... quase morrendo. Seu brilho dourado tremulava, lutando para continuar existindo.

  Mas ela n?o estava sozinha.

  Uma silhueta se erguia ao redor da luz. Alta, disforme, coberta por sombras que pareciam se fundir ao próprio vazio. Seus olhos — se é que tinha olhos — reluziam com um brilho pálido, quase doente.

  O Esquecido.

  Ele segurava a luz com delicadeza, como se aquele pequeno fragmento fosse a coisa mais preciosa do mundo. Dedos longos e retorcidos envolviam o brilho fraco, sem esmagá-lo — n?o ainda. Ele a encarava... devorava... absorvendo sua essência lentamente.

  Uma memória distante se acendeu na mente de Samuel. O toque frio e implacável, o rosto sombrio que ele vira naquele primeiro encontro. O Esquecido, com sua natureza sombria, sempre fora uma presen?a constante em seus pesadelos. Era mais do que um ser: ele era o próprio sofrimento encarnado. E agora, Samuel sentia a velha angústia tomar seu peito novamente.

  Ele tentou afastar o pensamento, mas a sensa??o de déjà vu era inescapável.

  Samuel tentou se mover, mas algo o prendeu.

  M?os sombrias emergiam do ch?o, garras esqueléticas que se agarravam às suas pernas, puxando-o para baixo. Ele se debatia, mas quanto mais lutava, mais forte se tornavam, sugando o pouco de for?a que ainda restava.

  — Me larga...

  O sussurro escapou por seus lábios, mas nem ele sabia se realmente havia falado.

  O Esquecido ergueu a cabe?a lentamente, como se só agora notasse sua presen?a.

  — Você... nunca pertenceu... a isso...

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  A voz n?o era apenas um som. Ela ecoava dentro da mente de Samuel, como se cada palavra fosse escrita diretamente em sua alma, queimando suas lembran?as. O Esquecido falava com o peso de todas as coisas esquecidas, com o poder da dor e do sofrimento acumulado ao longo das eras.

  O ser voltou seus olhos vazios para a luz em sua m?o.

  — Tudo isso... me pertence...

  Samuel reuniu toda sua for?a e quebrou as m?os que o seguravam por um instante. Ele tentou correr até a luz, mas antes que pudesse dar mais um passo...

  O Esquecido simplesmente apareceu diante dele.

  Como se o próprio vazio tivesse dobrado o espa?o.

  Uma m?o sombria se fechou em seu pesco?o.

  N?o era apenas for?a — era lembran?a.

  Samuel reconheceu aquele toque antes mesmo da dor chegar. O Esquecido o ergueu no ar.

  — Você n?o pode levar o que já foi esquecido...

  A press?o em sua garganta era insuportável, mas uma parte de Samuel reconheceu aquilo. Já tinha sentido isso antes. O Esquecido, de alguma forma, estava mais perto do que ele imaginava. Ele n?o sabia como, mas tudo aquilo parecia... inevitável.

  Uma sensa??o que Samuel conhecia demais, como se o próprio sofrimento se reciclasse em sua alma.

  Samuel se debatia, sentindo a press?o esmagando sua garganta. Ele tentou alcan?ar a esperan?a que sempre carregava… mas ela estava enterrada sob o vazio. Somente o vazio, o esquecimento e a sensa??o de estar sendo consumido.

  A luz fraca ainda brilhava na m?o do Esquecido... até que seus dedos come?aram a se fechar.

  Lentamente... cruelmente...

  A luz tremeu.

  — Deixe-a ir...

  Samuel estendeu a m?o, mas o Esquecido permaneceu imóvel, apenas observando.

  — Devolva.

  A palavra n?o foi dita em voz alta — foi imposta ao vazio.

  Os dedos sombrios se fecharam por completo.

  A luz se apagou.

  Samuel sentiu o vazio avan?ar — n?o sobre seu corpo, mas sobre quem ele era.

  As lembran?as come?aram a se desfazer, como nomes sendo arrancados da própria existência.

  Ele tentou dizer algo, mas o som morreu em sua garganta.

  O vazio o engoliu por completo...

  E ent?o...

  Ele acordou.

  Seu corpo se levantou ofegante, como se tivesse acabado de emergir debaixo d'água. Suor frio escorria por sua testa, e seu cora??o martelava em seu peito.

  Samuel estava em uma sala escura, mas sabia que agora era real. Mesmo assim, algo ainda permanecia com ele.

  O toque daquelas m?os.

  A voz sussurrando em sua mente.

  O Esquecido sabia que ele estava ali.

  E queria de volta aquilo que fazia Samuel ainda se lembrar.

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