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05 |💫| A Cidadela das Sombras

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  Após capturarem Samuel, os sentinelas o escoltaram para fora da instala??o. Assim que cruzaram a entrada do hospital, ele parou por um instante, observando a paisagem diante de si.

  A cidadela se erguia em meio à escurid?o, uma metrópole futurista onde o brilho dos letreiros holográficos contrastava com a ruína espalhada pelas ruas. Arranha-céus imponentes, revestidos por vidros luminosos e estruturas metálicas, ascendiam ao céu, mas muitos estavam danificados, rachaduras cortando suas fachadas como cicatrizes de um mundo que já foi grandioso. O vento cortava o ar frio, carregado com o cheiro de metal enferrujado e algo ácido, talvez o resquício de uma batalha passada.

  O ch?o estava molhado, refletindo as luzes artificiais em tons de azul e roxo. Carros aerodinamicos, alguns ainda em funcionamento, deslizavam em estradas suspensas. Os drones n?o apenas vigiavam — antecipavam, ajustando suas rotas como se a cidade soubesse onde cada pessoa pisaria antes mesmo do passo acontecer. O som distante de sirenes e o zumbido das máquinas davam um tom inquietante à cena.

  Ao longe, uma enorme torre central brilhava como um farol na escurid?o, sua arquitetura elegante e imponente demonstrando que ainda havia ordem... mas para poucos. A cidadela tecnológica, antes símbolo de progresso, agora era um lembrete cruel de que nem toda evolu??o traz salva??o.

  Samuel n?o demonstrou nenhuma rea??o visível, mas registrou cada detalhe. Seus olhos, profundos e atentos, absorviam cada fragmento da cena. Ele já havia visto lugares assim antes, mas esta cidade possuía uma vitalidade silenciosa — sustentada por camadas de sofrimento que nunca alcan?ariam as torres mais altas. Mesmo sem deixar transparecer, dentro dele havia uma busca constante para identificar o que restava de esperan?a neste lugar.

  Enquanto escoltavam Samuel, os sentinelas conversavam entre si, suas vozes abafadas pela marcha pesada. Cada um deles parecia um oposto do outro, como se suas palavras revelassem suas próprias inquieta??es.

  — Você acha que fomos duros demais com ele? A Dra. Lira pediu para n?o machucarmos... — disse Koran, o mais jovem dos dois, com um tom de dúvida, lan?ando olhares rápidos para Samuel, mas sem encará-lo diretamente.

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  — Fica quieto, Koran. Você n?o viu o que ele fez com a gente lá? Esse aí n?o é flor que se cheire. — retrucou Drax, com um tom desdenhoso e express?o carrancuda, sem desviar os olhos do prisioneiro, que seguia em silêncio à frente.

  — é que n?o demos muita escolha para ele. Ele só se defendeu... — continuou Koran, enquanto seus olhos percorriam Samuel e os arredores, tentando decifrar a situa??o.

  Samuel, em sua postura serena, os observava em silêncio. Ele n?o entendia as palavras — ou talvez n?o quisesse entendê-las, mas sentia intensamente cada olhar e cada murmúrio ao redor, como se o próprio ambiente sussurrasse segredos de um destino incerto.

  — Se defendeu? Você é muito ingênuo, Koran. — riu Drax, sarcasticamente, o som de sua risada ecoando na quietude da caminhada. — Que gestos estranhos eram aqueles da Dra. Lira? Nunca vi nada igual.

  — N?o sei, mas para ela o enviar até a P.A., ele parece importante... — refletiu Koran, seu olhar se distanciando por um instante enquanto ponderava sobre o enigma que era Samuel. A impress?o era de que ele possuía uma calma inquietante, como se estivesse em sintonia com algo que os outros n?o conseguiam perceber.

  — Ele só deve ser mais um nada. Já estava difícil aguentar ele e ela calados lá na instala??o médica. Espero que, levando ele para lá, a gente finalmente consiga um pouco de descanso. - disse Drax, apertando os punhos enquanto o peso da miss?o se fazia sentir, como se o futuro fosse t?o sombrio quanto a própria cidade.

  — N?o fale mal da Dra. Lira... Ela é legal. - replicou Koran, desconfortável, tentando manter um mínimo de respeito pela superiora, mesmo diante das tens?es.

  — Cala a boca, Koran. — interrompeu Drax com um tom ríspido, deixando claro que n?o havia espa?o para discuss?es naquele momento.

  à medida que se aproximavam da torre, a caminhada se intensificava. O horizonte se abria para a imponente estrutura, e o vento parecia carregar n?o só o frio, mas também uma promessa — ou um presságio — do que estava por vir.

  No instante final antes de alcan?arem o local, Samuel lan?ou um último olhar para a cidadela. Em seus olhos, refletia n?o só a decadência da cidade, mas também uma antecipa??o silenciosa. Algo grande, um mistério que ultrapassava a simples captura, pairava no ar. Ele pressentia que naquele cora??o de tecnologia e sombras, os segredos do passado e as possibilidades do futuro se encontrariam, dando início a um novo capítulo de incertezas e revela??es… Onde os segredos do passado e as possibilidades do futuro colidiriam.

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