Enquanto eu treinava para andar, correr, levantar, socar, chutar e pensar um ano se passou.
—Akira!
Falou a Zoe, pulando em cima das minhas costas, ela tinha se desenvolvido bastante, já sabia falar palavras inteiras e formar frases completas, seu cabelos loiros cresceram e ela ficou mais bonita e energética.
Eu a segurei ajeitando nas minhas costas e corri, brincando de cavalinho.
—Esperem!
Quem gritou foi o Arthur, ele como a Zoe, era mais um gênio, sem treino conseguiu aprender a andar e correr, é t?o injusto aquilo... Ele também sabe falar melhor que nós dois, esse era o talento dele: falar!
Ele corria conosco, enquanto riamos.
—Parece que seu treinamento deu certo.
Meu av? disse para minha avó, enquanto ela se enchia de orgulho.
—Claro que deu, você ensinou ele a pensar e eu a lutar, somos incríveis, meu bem!
Eles estavam felizes por seus treinos darem certo, eu estava feliz por progredir, era satisfatório minha evolu??o, se olhar meu corpo era notável minha defini??o leve, meu abd?men desenhado, bra?os e pernas agora desenvolvidos para fazer o básico em um combate, o básico que eu n?o sabia... Mas agora sei, ent?o deixamos a tristeza para lá!
Enquanto brincávamos, os pais de Arthur e a m?e de Zoe me admiravam, eles comentavam que eu fiquei mais bonito e mais forte, se aproximou meu pai e disse algo e claro:
—Mais forte? Só acredito testando eu mesmo!
Logo depois me desafiou, ficando em uma pose de luta.
—Ele n?o aprende mesmo.
Disse minha m?e sorrindo levemente e nem um pouco surpresa com aquilo, coloquei Zoe no ch?o e sorri, o desafiei novamente e gesticulei para ele vir pra cima, como eu fiz da última vez que lutamos.
—Você sempre preparado n?o é? N?o vou pegar leve dessa vez!
Nós posicionamos, Zoe, Arthur e todos pararam para ver o combate.
—Comecem!
Gritou o pai de Arthur, e eu parti para cima, dessa vez eu sabia correr de verdade, sem precisar me impulsionar, já que eu n?o caia mais!
Pulei até a altura do peito de meu pai e desferi um chute, mas ele desviou facilmente e sorriu, eu cai e o chutei novamente, dessa vez com um coice igual cavalo, ele n?o esperava isso, mas defendeu segurando meu pé, me jogou para cima, e no ar eu sorri.
—Que divertido...
Eu disse aproveitando o momento, quando comecei a cair, fui com as palmas abertas em dire??o ao meu pai, como se fosse agarrar seu pesco?o. Rapidamente ele se esquivou e me chutou para longe, invés de bater na parede como eu fazia, eu apoiei e Pousei no ch?o suavemente, e ambos sorrimos.
—Você ficou mesmo mais forte, mas ainda falta muito pra me superar!
Disse ele, depois eu avancei, ent?o meu pai apareceu atrás de mim, mas eu já esperava isso pela ultima vez que lutamos e soquei, mas quando rodei para trás, n?o tinha ninguém lá...
—O que?
Falou a Zoe surpresa, depois veio sua m?e dizendo calmamente:
—é a habilidade do Sato, presen?a vazia.
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Eu percebi o erro, e caiu meu pai do céu, me imolizando e colocando minha cara na terra, mais uma vez eu perdi para ele...
—Ei Akira, eu n?o te treinei para perder!
Gritou minha avó meio irritada, depois todos ali riram.
—Akira você foi incrível, talvez uns dez anos a mais de treino e você pode chegar nos meus pés haha!
Disse ele com a arrogancia habitual dele, depois saiu de cima de mim e me ajudou a levantar, o pai de Arthur se aproximou e acariciou minha cabe?a me parabenizando, depois veio Zoe e me abra?ou, logo depois veio Arthur e levantou o polegar e disse:
—Foi o suficiente!
Disse ele se achando o maior guerreiro, rimos todos. Depois veio meu av? segurando a mesma katana que eu tentei erguer no meu aniversário de um ano, a mesma katana com lamina azulada com cabo cinza.
—Bem, bem, bem. Será que o Akira finalmente vai poder seguir o caminho da espada que tanto deseja?
Eu olhei para ele com a espada em suas m?os, nervoso, muito nervoso. Mas por que?
Todos se afastaram e meu av? me estendeu a lamina, eu suava frio enquanto estendia a m?o.
—O caminho da espada...
Eu disse antes dele soltar a espada, ent?o fui ao ch?o e tentei levantar a espada, mas eu cambaleava pelo peso em minhas m?os, e cai sentado.
—Acho que ainda n?o é a hora.
Falou minha m?e gentilmente, depois se agachando e acariciando minha cabe?a, eu sorri rasamente pra ela, depois veio Arthur e levantou a espada com as duas m?os, todos olharam surpresos, logo após veio Zoe, pegando a espada das m?os dele e segurando.
—Parece que o caminho da espada se inicia para outras pessoas!
Disse o pai de Arthur orgulhoso, eu olhei e sorri, eles manuseavam a espada como um brinquedo, eu observava sorrindo...
Ent?o o tempo passou, quando a lua caiu, todos foram embora.
—Ei alguém viu o Akira?
Perguntava meu pai, já que eu n?o estava em casa. Eu estava na floresta socando uma árvore muito furioso, eu sorri quando vi os dois levantando a espada, mas por que eu n?o conseguia? Eu socava a árvore descontando minha frustra??o, um ano de treinamento e nada? Enquanto eles só levantaram porque sim? Isso é... T?o injusto!
O barulho atraiu o crocodilo que eu lutava sempre nos treinos, e sem pensar duas vezes, avancei em cima dele, e come?amos a brigar novamente... Durante a luta, eu socava a pele dele, movido pela raiva, meus dedos pelos socos inúteis, acabavam sendo machucados, por que mesmo treinando eu sempre sou superado? Esse ano foi em v?o? Será que eu nunca vou erguer uma katana?
—Droga!
Gritei enquanto derramava algumas lágrimas de frustra??o pura, meu presente de aniversário foi uma evolu??o em v?o... Sempre é assim, quando vai ser minha chance de brilhar? O crocodilo fugiu voltando para a floresta, mesmo com os pulsos sangrando, eu n?o ligava, meu ódio era gigante... Eu n?o odiava a Zoe nem o Arthur, mas me odiava por ser fraco e n?o consegui fazer o que eu treino para conseguir, quantos degraus tenho que subir? Quantas vezes tenho que me machucar? Quantas noites eu vou ter que ficar sem dormir? Quanto falta para eu finalmente saber o básico?
Depois bati com as duas m?os no ch?o, todos esses sacrifícios meus eram só pra aprender o básico humano, socar, chutar, se adaptar, andar, correr... Quando eu vou sair disso? Quando eu realmente vou ser forte?
Eu fiquei a noite toda batendo e chorando, frustado, eu desenvolvi for?a, resistência, leve experiência de luta e técnica rasa. Tudo o mais básico do básico, mesmo tendo dois anos de idade, era t?o... T?o frustante...
O sol lan?ou seu primeiro raio, iluminando aquele meu momento, estava jogado no ch?o, cansado e com olhos inchados de chorar de raiva, minha mente estava escura e cansada, achei que finalmente poderia fazer o que tanto quero. Me ajoelhei e senti o raio solar em mim
—Sol, ilumina minha mente...
Será que a estrela, que clareia quase o mundo todo, poderia iluminar meu caminho?
Claro que n?o.
Sempre foi assim... Eu e eu, sempre para evoluir, nunca teve nenhum caminho para mim, eu tive que criar tudo.
—Que droga...
Era amargo o gosto da derrota, t?o injusto...
—E ent?o, o que vai fazer? Vai desistir?
Me virei para trás e vi minha vó lá, com cara séria e com bandagens nas m?o, ela jogou para mim e eu comecei a enfaixar meus dedos e punho feridos...
—Seu idiota, você conseguiu levantar a Zoe nas costas e n?o consegue levantar um katana?
Suas palavras eram amargas e frias, quando terminei de enfaixar minhas m?os, eu ouvi a palavra que eu menos queria ouvir naquela hora vindo dela:
—Paciência.
Paciência? Eu treinei até agora só pra fazer o básico e nem isso eu posso, como você quer que eu tenha paciência? De novo eu chorei de raiva, mas limpava logo.
—Você n?o entendeu, você tem for?a para isso, sua for?a é corporal. Quando você segura um peso usa a for?a toda do corpo, quando você levanta uma katana só usa os bra?os. Você precisa canalizar sua for?a nos bra?os.
Mais uma vez eu precisava treinar, mais uma vez eu vou ter que me machucar para alcan?ar algo que alguém só fez por fazer... Eu n?o conseguia olhar nos olhos da minha vó, só podia olhar para o ch?o...
Se aproximou ela de mim e me deu um belo tapa no rosto, eu coloquei minha m?o sobre onde fui tapeado, surpreso e olhei no seu rosto, com a boca aberta e olhos arregalados.
—Por que?
Eu perguntei sem entender nada.
—Vai mesmo desistir por que perdeu? Que tipo de samurai é você?
Ela segurou meus ombros e continuou:
—No campo de batalha, um guerreiro perde bra?os, pernas, perde emo??es, perde sonhos... Se acostume com o "perder" e pare de ser mimado!
Depois me deu outro tapa, um mais forte, dessa vez eu absorvi o serm?o e aquela quebra de realidade.
—Se quer ser mais forte, lute para isso. N?o foi isso que te ensinei?!
Sim, era o que ela me ensinou nesse um ano, mas cansa perseguir alguém que nunca faz nada para ser forte. Mas se eu n?o tiver oponentes altura... Qual seria a gra?a?
Olhei para minha vó, determinado e com raiva, eu vou superar aqueles dois com meu esfor?o, o mundo já é triste de mais para eu também ficar para baixo.
—Me fa?a forte!
Disse com a raiva que eu tinha, ela sorriu e me respondeu:
—Com prazer, se prepare para se arrepender de ter nascido!
Dessa vez eu n?o sorri, mas ascendi minha chama dentro de mim, o inferno vai perdurar, mas eu vou rir no meio dos dem?nios... Será divertido.
No dia seguinte, minha vó me deu treinos para fortalecer meus bra?os e canalizar minha for?a, eu já tinha ambas as coisas, mas precisava desenvolver apenas eles dessa vez, ao invés de ser o corpo todo, como eu fiz com as pernas para aprender a andar.
—Seu problema passado era a resistência, agora precisamos treinar esses bra?os. Quero que escale essa parede.
Ela apontou para uma parede alta e quase lisa. Era notável a dificuldade que eu ia ter, mas como ela me disse, eu precisava deixar de ser mimado, ent?o lá fui eu escalar.
Eu tinha que fazer muita for?a nos dedos e bra?os, era o que eu precisava, a escalada era difícil, tive que me adaptar dolorosamente ao calor recebido nas costas, o suor nas minhas m?os me fizeram quase cair dezenas de vezes, mas mesmo assim eu continuei. A colina que eu estava escalando era a que minha avó me jogou, quando inciamos o treinamento, escorreguei e preguei os dedos na parede até prender em algum buraco, me segurei por pouco, e meus dedos e palma sangravam, dificultando minha escalada. Mas n?o importa eu continuei, e depois de alguns minutos subindo eu finalmente cheguei, quando me deitei no ch?o pude ouvir algo inesperado:
—Bem vindo, você demorou, eu sou seu próximo mestre!
Quando ouvi aquilo me surpreendi, quando olhei n?o acreditei que meu próximo mestre era você...

